segunda-feira, 17 de junho de 2013

Nuances da Linguagem




Grupo: Cristiane Rodrigues Amaral, Danilo Henrique Pinto, Francine Aparecida de Souza, Juliana Noberto França, Renato Cesar de Farias e Thiago Luíz do Nascimento.



Proposta


Utilizamos uma tirinha (e charge) publicada pelo jornal Agora para ensaio/ elaboração de uma aula de língua portuguesa. Enfocamos o tema passe-livre como proposta discursiva, objetivando o desenvolvimento sócio-político dos alunos. E através dos elementos contidos nos enunciados, acreditamos na possibilidade de um trabalho multidisciplinar. 


Tirinhas (charges): trabalhando com gêneros textuais

Nossos alunos deverão compreender que [1] "os gêneros textuais contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação. Assim, é a tirinha de jornal, uma atividade comunicativa presente no cotidiano das pessoas em geral. É um gênero de texto que aparece geralmente na parte final dos jornais, depois das notícias mais sérias e mais longas, com a finalidade de relaxar o leitor". 




Pesquisa multidisciplinar em foco

Através da tirinha, os alunos deverão interrelacionar o conteúdo do enunciado com outros gêneros textuais (artigos de jornais, revistas, blogs, etc.), sondando o contexto sócio-histórico onde estão inseridos.





                        fonte: http://jorgedaher.wordpress.com/2011/09/29/passe-livre-para-cidadania/


[...] A cidade de São Paulo tem uma população de mais de 10 milhões de habitantes. Se somarmos seus 38 municípios vizinhos, chegaremos a quase 17 milhões de pessoas. Na região metropolitana, cerca de 55% das viagens motorizadas são feitas em transporte coletivo, num total de 6 milhões de passageiros transportados por dia útil.
Para atender a essa demanda, todas as linhas de ônibus são operadas por empresas privadas, sob a gestão da São Paulo Transporte S.A. - SPTrans. O sistema é operado por 16 consórcios, formados por empresas e cooperativas, responsáveis pela operação de 15 mil veículos em mais de 1.300 linhas.


"O Movimento Passe Livre é diferente das manifestações, já que nos atos incorporam-se entidades de diversos setores da sociedade, mas a nossa bandeira é apenas pela gratuidade do transporte e, no curto prazo, a revogação (do reajuste)" [2]




Análise do discurso: trabalhando com as nuances da linguagem 


Análise do Discurso é uma prática da linguística  no campo da Comunicação, e consiste em analisar a estrutura de um texto e a partir disto compreender as construções ideológicas presentes no mesmo.
O discurso em si é uma construção linguística atrelada ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são diretamente determinadas pelo contexto político-social em que vive o seu autor. Mais que uma análise textual, a análise do Discurso é uma análise contextual da estrutura discursiva em questão.



Arcabouços Teóricos 

Metodologia Sóciointeracionista: visamos a aprendizagem cujo foco está na interação. Segundo esse pressuposto, o processo dá-se em contextos históricos, sociais e culturais e a formação de conceitos científicos dá-se a partir de conceitos quotidianos. Desta forma, o conhecimento real do aluno é ponto de partida para o conhecimento potencial, considerando-se o contexto sócio-cultural.
Abordagem Cognitivista: A concepção Piagetiana de aprendizagem tem carácter de abertura e comporta possibilidades de novas indagações assim como toda a sua teoria em epistemologia genética. E explorando os gêneros, propomos a otimização dos conhecimentos através da reflexão e trabalho de pesquisa interdisciplinar.  
Materiais Didáticos: vídeos, artigos (virtuais ou impressos) de jornais, revistas e livros de apoio. 
Alunos: 1º ano do Ensino Médio, na faixa etária entre 15 e 16 anos.
Duração: 2 aulas (90 min.).  
Objetivos: auxiliar na capacitação crítica e no desenvolvimento sócio-político dos alunos através da análise do discurso e as demais modalidades linguísticas. Incentivar autonomia para a pesquisa multidisciplinar.
Foco na refutação: abordagem discursiva a fim de incentivar a argumentação dos alunos.
Atividades em sala de aula: debate, (pesquisa) leitura e elaboração de textos, discursos e montagem de cartazes e/ou informativos sobre o tema passe-livre.
Avaliação: dará-se pelo empenho individual (e equipe) e dos resultados satisfatórios das atividades solicitadas. A interação é padrão indispensável.


nº1: tirinha do Laerte. fonte: http://3clics.com.br/charges-e-tirinhas-sobre-os-protestos-no-brasil/




                  nº2 charge extraída do jornal Agora - São Paulo, 13 de Junho de 2013.


Análise pronta

nº2: Após a leitura, propõe-se um debate em sala de aula contra a ideologia patronal e retaliatória direcionada ao movimento passe-livre em todo o Brasil, publicada pelo jornal em questão desde o início das manifestações contra o reajuste nas tarifas de trens e ônibus. Facilmente percebemos no enunciado a preocupação com os prejuízos sofridos pelas empresas de transportes na capital paulista. Somam ao todo, R$ 35 mil no metrô e 87 ônibus depredados. Há uma mensagem conformista referida por um dos personagens: "pagando tá ruim, imagine de graça", que denota a posição unilateral das autoridades, e o disfarce pelo descaso do nosso transporte público. Os alunos deverão identificar essas vozes sociais em constante conflito pelo poder, através de vídeos, artigos de revistas e jornais, além de visitar blogs e páginas da internet. Deverão também enfocar a constituição brasileira (nº1), seus direitos e deveres contra o discurso sugerido pela tirinha. O professor deve facilitar a aquisição desses conhecimentos, dos diversos temas subjacentes. Os instrumentos serão: Linguística (Análise do discurso e gêneros textuais, Morfologia, e Sintaxe) e a sugestão da literatura filosófico-política ("1984", Orwell e A Cultura-Mundo).

Atividades:

1. leitura dos artigos relacionados ao tema. 2. identificação (ideológica) dos gêneros discursivos 3. debate 4. produção textual  5. exposição oral dos textos 6.  avaliação

Exercícios:

1. o que é ideologia?
2. qual é o papel das empresas de transporte público?
3. o que é o movimento passe-livre?
4. quais são as vozes sociais por detrás dos enunciados lidos?

redação 

"transporte público: reivindicação ou caos?"


vídeos complementares:

"Assista íntegra da entrevista com representante do Movimento Passe Livre"



"Protesto Passe Livre Brasil: Veja o que você não verá na televisão!"




webgrafia:

 [1] SILVA S.B., OLIVEIRA N.S. São Paulo: Análise Semiótica do Gênero Textual Tirinha. http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao17/art_silvaeoliveira.php
[2] ALESSI G. Lutamos só para revogar aumento, diz movimento Passe Livre. UOL Notícias: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/17/nossa-luta-e-apenas-pela-revogacao-do-aumento-diz-movimento-passe-livre.htm
















domingo, 2 de junho de 2013

Gendai



O Gendai foi inaugurado em 1992 no Shopping Morumbi com uma proposta pioneira de uma loja de produtos japoneses fora do circuito comercial da Liberdade, onde um "sushi bar" ganhava destaque junto aos molhos orientais, bebidas importadas, utensílios de cozinha japonesa e outros produtos desta tradicional culinária.
Em 1994 foi concebido no mesmo shopping um fast-food de comida típica japonesa com aceitação imediata pelo público, devido a união de fatores que o novo conceito continha: agilidade no atendimento, preços acessíveis e qualidade.
A rede se expandiu com lojas próprias e a partir de 1996 adotou o sistema de franquia sendo desde então associada a ABF - Associação Brasileira de Franquia. Atualmente contamos com lojas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará e Mato Grosso do Sul, e em breve em outros estados do país.


fast-food brasileiro formatado em "centro gastronômico" japonês

Dentre as diversas opções "gastronômicas" do shopping, o Gendai é única loja ofertante da "típica culinária japonesa". No cardápio (de preço bem salgado!) há uma "infinidade" de iguarias orientais: sushis, temakis, teishokus, gunka makis, e etc. (na verdade, há só isso mesmo). Tudo é servido quase que imediatamente após o pedido do cliente, o que seria impossível tratando-se da delicadeza que cada prato exige em seu preparo. Como todo bom fast-food, tem que ser servido assim mesmo: funcionários correndo para aquecer o pedido que está congelado, processado, e já temperado e pronto para ser servido - deliciosos "peixes frescos", os condimentos produzidos "naturalmente", temperos "importados do Japão", e etc. Basta sentar-se por alguns minutos e convencer-se de que a culinária japonesa não é uma "tendência" para a grande maioria dos consumidores. E não poderia ser diferente. Observem o primeiro parágrafo extraído do site http://www.gendai.com.br/ e tire suas conclusões sobre o discurso de desapropriação dos diretos dos Sushi Bars do tradicional bairro da Liberdade na cidade de São Paulo! Acabar com uma tradição gastronômica apenas para aplacar a curiosidade das massas famintas pela experimentação de pratos exóticos não é uma boa alternativa, a não ser, para formar mais hiperconsumidores de novidades.

Público-alvo: típicos consumidores de fast-food-exótico (não apreciadores da gastronomia japonesa), e devido ao alto custo dos serviços, são de exclusividade das "classes" "A" e "B". 
Ideologias: 1. hiperconsumo voltado às novidades, variedades de produtos alimentícios de fácil consumo (geralmente são produtos de baixa qualidade). 
Linguagem verbal: cardápio, exposição de valores (banners eletrônicos contendo preços), patrocinadores, e  prestadores de serviços (distribuição e cobrança).
Linguagem não-verbal: banners eletrônicos (paisagens japonesas, pratos típicos, pessoas e costumes) e uniformes específicos (sushi bar).







InCy Festas


A Incy Festas representa a moda em vestidos de festas luxuosos e em suas últimas tendências mundiais. Ela comercializa seus produtos de alto padrão estético (corte e costura) para um público seleto das "classes" "A" e "B". Dentre esse público estão as noivas, suas damas, debutantes, aniversariantes, celebridades  e frequentadores das altas colunas sociais.  A loja não disponibiliza objetivamente seus preços. Nas vitrines, seus próprios vestidos discursam: "somos teus sonhos de consumo, mas fora do alcance das mãos". 

o mercado da moda é impulsionado principalmente pelos cinema e tv.


Público-alvo: predominantemente feminino e das "classes" "A" e "B".
Ideologias: 1.hiperconsumo sugerido pelo mercado da alta moda e designs de luxo, e reforçado pelos veículos midiáticos (telenovelas, rádio, internet, jornais, revistas especializadas em moda [festas badaladas por celebridades]. 2. hipertecnologia: da dependência e utilização de itens eletrônicos para consumo em suas lojas virtuais.  3. padronização estética e comportamental. 4. Ostentação. 
Linguagem verbal: Logo-marcas (loja, prestadora de serviços de cobrança, distribuição e revenda), flyers e cartões de visita.
Linguagem não-verbal: Banners eletrônicos e manequins produzidos com o produto. 




Livraria Saraiva

Livraria Saraiva, uma das maiores revendedoras de livros, papelaria e artigos variados no Brasil, atende a todos os públicos: acadêmicos, literatos, jornalistas, advogados, mas também o desatento leitor casual, o consumidor impelido da rede. A Saraiva atende principalmente o mercado que circunda a leitura oferecida, como o cinema, rádio e tv, e consequentemente, autobiografias de suas celebridades, dvd's e cd's (trilhas sonoras) dos maiores "hits" do momento. Há muitas ofertas de manuais para "boa forma" física, dicas de moda e etiqueta. Destaque para os livros de autoajuda, guias religiosos e o campeão de público e venda: a revistaria contendo os guias das novelas e as famosas "revistas de fofocas".



Público-alvo: Leitores casuais de todas as idades e classes sociais.
Ideologia: 1. hiperconsumo interseccionado a todos os setores comerciais e midiáticos (observamos em toda a parte da loja, setores especializados para todos os públicos e idades: "fitness", gastronomia, arte, moda e estética, cd's e dvd's, papelaria, artigos nacionais e importados, e etc.) 2. massificação da leitura comercial e de fácil entendimento. 3. neocapitalismo: da movimentação de um mercado gráfico (artes e ilustrações), audiovisual e estilístico (da comercialização de obras baseadas em pesquisas  de consumo), apenas e para o fim do hiperconsumo. 4. hipertecnologia: das emaranhadas redes de lojas virtuais que aquecem o mercado de itens eletrônicos, hospedagens de sites, redes sociais e blogs relacionadas às marcas de seus produtos.
"dia dos namorados"










À direita, temos uma grande sugestão de ofertas de romances eróticos e manuais de sexo e autoajuda, apelo à leitura fácil para o "dia dos namorados".
destaque para o "Kama Sutra"
Linguagem Verbal: exposição de valores, pôsteres, banners, e slogans (ao lado, um apelo comercial para o "dia dos namorados").
Linguagem não verbal: pôsteres, banners, e as ilustrações das obras e a arte de capa de seus produtos.
Valor Aquisitivo: a variedade de produtos também é resultado da variação de preços. Quanto mais cobiçado o produto, mais alto é o custo final. Obras clássicas, por exemplo, são oferecidas num valor mais baixo comparadas com a série "50 nuances de sexo". [A loja é exclusiva das "classes" "A" e "B", mas há facilitação de pagamento para a "C"]









Ao lado, os livros são oferecidos como meros adornos e/ou itens de fácil consumo e para todos os públicos.













Aqui vemos os guias das ofertas de produtos de baixo custo, geralmente direcionados ao público mais "casual" e descriterioso quanto aos títulos da loja.



"Fitness"

"Hit parade"

"mídia religiosa"



"Fitness" - compõe discurso ideológico da massificação e padronização estética elaboradas pelos filmes de Hollywood.
                                                                           












Hit parades - fazem parte das trilhas sonoras das novelas e filmes em circulação no Brasil. Seu discurso ideológico é o hiperconsumo.













Mídias religiosas - fazem a manutenção da fé católica e a dominação da igreja. São interrelacionadas ao discurso ideológico religioso, das classes dominantes (tradicionais), e ao hiperconsumo. 

sábado, 1 de junho de 2013

Quem disse, berenice?

"O ambiente é um bombardeio de informações sobre as novas tendências do mundo da estética e da moda"  



A especialista em cosméticos, "quem disse, berenice?" é exemplo do "fluxo terminal a curto prazo" movimentada pela "Play Arte" e a academia "Bio Ritmo". Enquanto Hollywood (ou qualquer outra produtora audiovisual de rótulos e estereótipos)  prepara o discurso ideológico (essencialmente padrões para consumo), há quem siga às novas tendências e cumpre as exigências de um mercado frenético e descartável: nascem assim os hiperconsumidores.






Ideologia: 1. hiperconsumo interseccionado à diversas modalidades do mercado. 2. padronização estética.  
Linguagem verbal: logo-marcas, preços e slogans (decorativos e apelativos).
Linguagem não-verbal: pôsteres (modelos), banners (artísticos) e exposição de artigos importados (embalagens ultracoloridas que remetem a frutas, paisagens e celebridades do cinema e da TV). 








O discurso ideológico acima é um apelo subjetivo elaborado para o dia das mães: "Mel" - submissão, praticidade e amabilidade: "Pimenta" -  erotismo e feminilidade  














                                                                                           


West Plaza

Shopping West Plaza - São Paulo, 13 de Maio de 2013



Letras - Análise do Discurso - 1º semestre - 2013
Danilo, Francine, Juliana, Renato e Thiago.

Servimo-nos desse campo de pesquisa em busca de contrastes contidos em cada discurso ideológico, da relação mercado x consumidor. Para isso, registramos aqui, 17 diferentes tipos de estabelecimentos comerciais, entre eles livrarias, cinemas, e lojas de alimentação. 
O público é predominantemente feito de jovens e adultos, de gênero misto, das "classes" "B" e "C". Frequentam estudantes universitários, funcionários, e clientes casuais em sua maioria.
A formalidade ou casualidade no estilo de vestir de seus clientes é determinado pela procura de consumo: fitness (tênis e uniforme esportivo), cinema (jeans, tênis e camiseta), joalheria (social), e etc. 

Ideologia





Significado de Ideologia

s.f. Ciência da origem das ideias; estudo das ideias de modo abstrato; doutrina das ideias.
Filosofia. Atribuição da origem das ideias às noções sensoriais do indivíduo a partir de sua compreensão do mundo externo. 
P.ext. Filosofia. Marxismo. Aquilo que abarca o sistema de ideias, tanto autorizadas pelo poder econômico da burguesia, quanto àquelas que expressam as preocupações revolucionárias do proletariado; consciência social. 
P.ext. Sociologia. Organização de ideias fundamentadas por um determinado grupo social, caracterizando seus próprios interesses ou responsabilidades institucionais: ideologia cristã; ideologia fundamentalista; ideologia nazista etc.
P.ext. Reunião das certezas pessoais de um indivíduo ou de um grupo de pessoas; percepções culturais, sociais, políticas etc: sua ideologia é fazer bem ao próximo. 
Política. Reunião das ideias características de um grupo, de um período, e que marcam um momento histórico: ideologia capitalista. 
(Etm. ide(o) + logia)

Definição de Ideologia
Classe gramatical de ideologia: Substantivo feminino
Separação das sílabas de ideologia: i-de-o-lo-gi-a
Plural de ideologia: ideologias